INDIVÍDUOS EM SITUAÇÃO DE RISCO: O PAPEL DO PSICÓLOGO SOCIAL

O presente estudo tem por objetivo analisar a atuação do
Psicólogo com indivíduos em situação de risco. Falar desta vertente é falar de
vulnerabilidade social. Todavia, tratando-se do social abarcamos os setores
que vão além da prática clínica tradicional e, partimos para os setores públicos
e para a comunidade, para dar conta dessa demanda. Conforme ressalta
EIZERIK apud ZANELLA (2009), não é o lugar que irá definir a prática do
profissional Psicólogo Social, todavia a priori, é a capacidade de refletir
criticamente sobre teorias, métodos e práticas.E desta forma, portanto,
avaliando os resultados e pensando acerca das necessidades do país que nos
encontramos. Dentro da Psicologia Social há vertentes a serem trabalhadas,
todavia onde se faça necessário, o estudo e intervenção em determinado grupo
social (EIZERIK apud ZANELLA, 2009).


No Brasil, podemos chamar a Psicologia Social no contexto da
Educação de Psicologia Escolar, Psicologia Educacional, Psicologia da
Educação e Psicologia na Educação. Historicamente a ideia da infância vem
sendo determinada socialmente pela organização social capitalista e definida
pelos interesses da burguesia. Todavia, o desenvolvimento da criança passou
a ser considerado algo natural e puramente individual. Portanto nessa
perspectiva a escola vem negando-se, desta maneira a responsabilizar-se
pelos fracassos e marginalização, apontando para a própria criança ou para o meio social, como os responsáveis por estes fenômenos (EIZERIK apud
ZANELLA, 2009), indo ao encontro do que afirma MIRANDA (2004, P.131-
132).

Afirmar que a criança é sujeito da ação pode causar certa estranheza
numa sociedade que nega o papel social da infância. Isto fica mais
explicito quando consideramos as diferentes formas de participação
da criança em condições sociais distintas. As crianças pobres da
cidade e da zona rural trabalham desde que tenham o
desenvolvimento físico suficiente. […] Por outro lado, as crianças dos
diferentes estratos da classe média são consumidoras importantes,
enquanto filhos consumidores, o que será sempre lembrado pela
publicidade, pela indústria de brinquedos, discos e livros, pelas
escolas particulares, etc. Como trabalhadora ou como consumidora, a
criança participa ativamente enquanto ser social atuando mais ou
menos de acordo com seu estágio de desenvolvimento físico
“.


Cabe a Psicologia na área de Educação os desafios de Identificar
distúrbios de personalidade, conduta ou aprendizagem, corrigir e prevenir a
concepção histórica da infância como algo natural, e contribuir nos problemas
do aluno ou na família, que por vezes é desorganizada e desestruturada,
prejudicando desta forma o desenvolvimento da criança. Indo de encontro ao
que pensa ZANELLA (2009), quando este afirma que a psicologia vem mais do
que contribuir com a superação do fracasso escolar, vem para fazer a
manutenção da ordem social vigente. A Psicologia tem como papel dentro da
escola, portanto, a análise das situações educativas em sua complexidade,
atentando para os aspectos políticos, históricos, econômicos e sociais. Atuando
desta maneira, na reflexão e conscientização junto aos sujeitos sobre as reais
dificuldades da sociedade a qual pertence em um processo de
comprometimento com a mudança, tendo suas ações voltadas para a
cidadania (ZANELLA, 2009).


No âmbito da Saúde, a Psicologia chegou tardiamente, conforme
supracitado, pois esta historicamente teve como principal forma de trabalho a
clínica tradicional. A estruturação de um novo campo do saber, é iniciada,
quando a psicologia abandona a atuação, até então predominante, como o
tradicional atendimento clinico semanal, em consultórios particulares, de difícil
acesso econômico. Coube, um novo olhar por parte desta nova forma de se
pensar psicologia, para o social dentro do processo de adoecimento. Pois
tendo a história da saúde como base a vida cotidiana das pessoas e das comunidades, podemos considerar que, o modo como o sujeito adoece e
morre, é revelador sobre como o sujeito vive (ZURBA, 2011).


Ainda sobre a prática do psicólogo na perspectiva da saúde coletiva,
afirma ZURBA (2011), que este deve considerar os princípios do SUS
(SISTEMA ÚNICO DE SAUDE), que são: universalidade, equidade e
integridade. Devendo o profissional de psicologia, ter a capacidade de
relacionar a prática clínica com o conhecimento do social, bem como focar na
promoção em saúde mental, o viés das intervenções relacionadas ao campo,
conforme ressalta FERREIRA, NETO (2011, p 49).

Os novos campos demandam competências e habilidades cada vez
mais plurais, atuações mais interdisciplinares e diversificadas por
parte de cada um. […] Os psicólogos são então convocados tanto
para o trabalho clínico junto aos portadores de transtorno mental
severos e persistentes, quanto para o desenvolvimento de atividades
coletivas, apoio matricial junto a equipes de saúde da família, ações
de mobilização de recursos comunitários, entre outras. Por,
conseguinte, o psicólogo é convocado a apresentar competências e
habilidades tanto da área clinica quando da psicologia social,
demonstrando assim os riscos de uma formação que segmenta e
antagoniza esses dois campos
“.

Por fim, podemos concluir que a Psicologia tem uma contribuição
importante a dar, no auxílio aos indivíduos em situação de risco nas áreas da
pedagogia, na área da saúde, conjuntamente das Políticas Públicas para dar
conta, no sentido de Promoção da Saúde, da vulnerabilidade social. Neste
primeiro campo na redefinição dos aspectos relativos a socialização da criança,
problemas como indisciplina, violência, rivalidade, competição,
descompromisso, individualismo, autoritarismo, que tanto estão presentes no
cotidiano das escolas do Brasil. E neste segundo viés como suporte e apoio
matricial as equipes de saúde, focando na promoção da saúde em equipes
multidisciplinares. Em ambos, a Psicologia deve atentar aos problemas, que lhe
são solicitados resoluções, pela comunidade. Deve ter em seu caráter pioneiro
o esclarecimento e as reflexões que possam vir a clarear e promover mudança
no contexto social.

REFERÊNCIAS

FERREIRA NETO, J.L. Psicologia e políticas públicas: Novas questões para
a formação. IN: FERREIRA NETO, J.L. Psicologia, políticas públicas e o SUS.
São Paulo: Escuta, 2011.
MIRANDA, M. G. O processo de socialização na escola: a evolução social
da criança. In: LANE, Silvia. T. M; CODO Wanderley; (Orgs). Psicologia Social:
o homem em movimento. São Paulo: Brasiliense,2004.
ZANELLA, Andrea Vieira. Psicologia Social e Escola. In: STREY, Marlene
Neves, et al. Psicologia Social Contemporânea. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009.
ZURBA, M.C. Contribuições da psicologia social para o psicólogo na
saúde coletiva. Psicologia e Sociedade; 23(n. spe), 5-11,2011.